Novo artigo do “The Wall Street Journal” sobre a popularidade do SNSD!

O Girls’ Generation, mais uma vez, foi destaque no site do jornal americano “The Wall Street Journal”, ganhando um artigo crítico na seção de música do blog “Speakeasy”. Na semana passada, o grupo foi citado numa matéria em vídeo do mesmo site.

Abaixo, você confere alguns trechos escritos pelo comentarista Jeff Yang, que foram adaptados para um melhor entendimento em português. :D

 

Na semana passada, o super grupo de K-Pop Girls’ Generation realizou um showcase sem precedentes na televisão americana, através do “Live! With Kelly” – o programa matutino que, atualmente, estrela Kelly Ripa e uma série de convidados especiais diários. Para os que acompanharam, o segmento ofereceu um momento mágico da televisão – não durante a apresentação musical em si, mas sim a breve entrevista que veio logo após.

O Girls’ Generation apresentou uma versão de mover multidões de seu primeiro single americano, The Boys, juntamente com a coreografia que é sua marca registrada. O grupo então ficou parado no palco, levemente sem fôlego, para receber Kelly Ripa e seu popular co-apresentador, Howie Mandel. Ripa e Mandel parabenizaram as garotas com suas ‘maneiras de se falar com um estrangeiro’, falando alto e lentamente, e também fazendo gestos grandes e evocativos com as mãos.

Então, Mandel decidiu elogiar as garotas. “Seu inglês é muito bom!”, ele disse a uma integrante – a animada e comunicativa Tiffany. Sem falhar, Tiffany respondeu, com um perfeito sotaque do norte da Califórnia, “Bem… Eu nasci nos Estados Unidos.” “Eu também”, disse Jessica, a garota de cabelos castanhos ao lado. Surpreso, Mandel só conseguiu repetir, “E… Seu inglês é muito bom!” As outras garotas caíram em risos, ao passo que Tiffany tentou neutralizar o momento embaraçoso: “Eu sei, eu sei, muito obrigada! Eu estudei tanto!”

Você não pode realmente culpar Mandel. No final, o Girls’ Generation é o ‘rosto’ da Coreia jovem – o grupo musical feminino que mais vende e o mais falado da nação. Para ele, Tiffany e sua colega Jessica falando fluentemente em inglês devem ter soado como Katy Perry falando em Khmer [a língua do Camboja].

Mas Tiffany e Jessica – assim como as filas e filas de outros americanos que se apresentam na Coreia, recrutados por empresas como SM Entertainment e JYPE, que se baseam em caçar talentos nos Estados Unidos – não são somente um ato aleatório de globalização. Elas são a arma secreta da próxima tática da Coreia em dominar a cultura jovem mundial.

Tiffany, que ainda dá risadas sobre o Momento de Mandel – “A expressão dele era tão divertida!” – nasceu em San Francisco e foi criada em Los Angeles. “Eu participei de uma audição da SM quando tinha 15 anos, e acabei sendo convidada a ir para a Coreia e treinar lá. Meus pais eram completamente contra isso, mas eu os convenci a me deixarem. Eu não sabia o que estava fazendo, mas sabia que queria fazer música pelo resto da minha vida. E foi realmente difícil: três anos de trabalho duro, aprendendo tudo de que eu precisava para me tornar uma idol.”

Os populares programas de treinamento da Coreia são rigorosos e abrangedores: consistem em idols morando juntos em dormitórios, indo à escola durante o dia e aprendendo a cantar, dançar e atuar no final da tarde. Para alguns, como a colega de Tiffany, Jessica, o processo começa cedo, aos dez anos.

As firmas de gerenciamento pagam tudo; a casa líder de talentos SM Entertainment arca com os custos de ‘criar’ um idol em torno dos 3 milhões de dólares, o que, para o Girls’ Generation, seria multiplicado em nove. A maioria dos candidatos acaba saindo ou falhando, mas a recompensa para os que conseguem é enorme: o Girls’ Generation é superestrela da mídia e de marcas, com contratos que vão da divulgação de novos celulares da LG, até de processadores da Intel, ou então da Goobne Chicken (a empresa coreana líder e vender frangos assados). Coletivamente, elas geram uma fluxo de rendas anual bem acima dos 50 milhões de dólares – o que as torna um fantástico investimento para a companhia SM.

“O Girls’ Generation é, facilmente, o maior girlgroup da Ásia, diz Susan Kang, fundadora e CEO do Soompi.com, o maior site em inglês sobre K-Pop. “Esse posto é mantido desde o sucesso de seu hit “Gee”, em 2009. O vídeo para essa música, sozinho, teve mais de 64 milhões de visualizações no YouTube, e foi visto em todos os países, com exceção de algumas nações da África. Pegue as Spice Girls em seu auge, mais Britney Spears também em seu auge, e talvez você possa chegar no quão grande o grupo é hoje.”

Na Ásia é: o Girls’ Generation ficou no topo de rankings musicais na Tailândia, nas Filipinas, em Taiwan e, especialmente, no Japão, o segundo maior mercado fonográfico do mundo. E, na Europa, o concerto “SM Town”, do qual elas participaram, teve os ingressos esgotados depois de 15 minutos após ter sido anunciado.

Mas a Ásia e a Europa têm um longo histórico de inclusão de mídias em línguas não-nativas. O inglês é uma parte obrigatória do ensino primário em muitos países asiáticos, incluindo Japão, China e Coreia; mais da metade dos europeus pode conversar em outros línguas que não a sua nativa. Nos Estados Unidos, entretanto, menos de um em cinco americanos é fluente em outra língua que não o inglês. Ao passo que, ocasionalmente, músicas de outras línguas conseguem ser bem-sucedidas em rankings de música pop – seis músicas não-em-inglês até mesmo conseguiram o primeiro lugar da Billboard, sendo, a mais recente, o hit “Macarena” de Los del Rio –, a realidade é que essas exceções provaram a regra: se você quiser se sair bem na América, terá de ser em inglês.

É por isso que Tiffany e Jessica têm um papel tão importante na missão do Girls’ Generation em ser bem-sucedido no mercado norte-americano. De acordo com Kang, do Soompi, “Na minha opinião, se há alguém que irá se dar bem aqui [nos Estados Unidos], este alguém será ou o Girls’ Generation, ou o 2NE1 – um energético quarteto, atualmente mentorado por Will.i.am do Black Eyed Peas, cujos três de quatro membros podem falar em inglês fluentemente.

“Possuir integrantes que falam em inglês nativo é um grande diferencial em atingir a audiência americana”, diz Kang. “Isso torna as coisas menos ‘estrangeiras’ para eles. E a novidade é que grandes produtores, como Teddy Riley, estão escrevendo as músicas delas, além de estarem trabalhando para a agência número um da Coreia. E, francamente, as garotas são nove senhoritas sensuais. Dentre nove garotas, há no mínimo uma que você quer namorar se você for um homem, ou no mínimo uma que você quer ser se for uma mulher.”

Irá o exército de nove garotas Girls’ Generation ser bem-sucedido em ganhar o coração e a mente dos americanos? “Absolutamente”, diz Adam Ware, chefe da Mnet America – um canal-irmão criado pela poderosa rede coreana de entretenimento Mnet.

“Há uma pendência agora, e o Girls’ Generation está pronto para tirar vantagem disto”, ele diz. “Do ponto de vista de uma indústria, você tem as mais brilhantes mentes da música observando e dizendo, o que é que que Will.i.am e Jimmy Lovane (o  cabeça da Interscope, que é o selo sob o qual está o Girls’ Generation) sabem sobre K-Pop que eu não sei? E a resposta é que estas são artistas talentosas que são atraentes de um  jeito sexy mas saudável, que sabem fazer uso da mídia social. Você tem jovens se desgrudando da Disney Channel e procurando por algo ‘grudento’, positivo e divertido para ouvir. Então, eles vão ao YouTube e veem o Girls’ Generation. Eles assistem aos vídeos. Eles aprendem as danças. É incrível: eu nunca vi algo assim, em que você tem grandes multidões que sabem como fazer os gestos de mão exatos em músicas que não são nem em inglês.”

[...]

“Eu não acho que a linguagem seja uma completa barreira”, diz Tiffany. “Temos fãs em todo o mundo, que amam nossa música mesmo não podendo entendê-la. Se há algo que nossa experiência nos ensinou, é que música é uma língua mundial. É algo que você não só ouve, mas algo que você também sente.”

Créditos: The Wall Street Journal

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